O porquê de os filmes ainda serem mais fascinantes do que as séries

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Com à internet, ficou muito fácil para qualquer pessoa escolher o seu meio favorito de entretenimento. E os filmes e as séries continuam sendo os prediletos da grande maioria dos cidadãos brasileiros. Até aí tudo bem, o problema é o que as pessoas assistem.

Nem todo mundo pode viajar pelo mundo, viver aventuras frequentes. Por isso, os filmes e as séries sempre foram um ótimo meio de escapar da realidade e de se aventurar por outros mundos e culturas, conhecer pessoas fascinantes e se apaixonar por grandes personagens e belas histórias.

Mas parece que o brasileiro se esqueceu de uma coisa: viajar pelo mundo e não apenas pelos Estados Unidos. O país da América do Norte simplesmente domina a tv e os cinemas brasileiros. A maioria esmagadora das séries e filmes consumidos pelos cidadãos do país é de origem estadunidense. Antes da internet era aceitável, as pessoas eram ‘’obrigadas’’ a assistir apenas aos enlatados americanos nos cinemas e na televisão, tanto na tv aberta quanto na tv fechada. Mas mesmo agora, com à internet, os brasileiros continuam aceitando os enlatados americanos serem empurrados goela abaixo, até escrevi um artigo sobre este assunto.

Com acesso à internet, um dos fatores mais interessantes é poder assistir filmes do mundo todo. Eu mesmo descobri recentemente o maravilhoso cinema indiano, e agora quero investir também no cinema espanhol, que cresce cada vez mais. Estou de olho também no cinema árabe e turco. É muito curioso notar as diferenças nos filmes, tanto na parte da fotografia, música, direção, estilo de atuação dos atores e etc.

Aí você começa a procurar por séries ao redor do mundo e infelizmente, não tem a mesma facilidade comparada à procura dos filmes. O mundo da tv é dominado pelos enlatados americanos – séries chatas e genéricas feitas sob medida para entreter pessoas preguiçosas que têm preguiça de procurar por algo diferente. A outra alternativa é o Japão, com seus populares animes. E fica nisso mesmo, EUA e Japão, Japão e EUA. Os outros países até que investem nas produções televisivas – com maior destaque para o Reino Unido e à Coreia do Sul – mas sem grande sucesso. É bem difícil achar uma série para baixar ou assistir online, principalmente se a série for longa e tiver muitas temporadas, e consequentemente, muitos episódios. Outro fato importante de se ressaltar é que com a popularidade absurda dos shows de tv, vários programas de qualidade questionável estão sendo produzidos ao redor do mundo. O que mais acontece com às pessoas atualmente é, iniciar uma série, e desistir após apenas alguns episódios vistos, tamanha a baixa qualidade do show. Ninguém vai querer passar várias horas assistindo algo que não lhe agrade. Já que nem todas as séries têm o alto nível de alguns fenômenos televisivos recentes.

Quando se fala em filmes + internet, aí sim temos um fenômeno fascinante. Os filmes estão disponíveis em todos os lugares. Desde os clássicos sites para download, até filmes online em serviços pagos como a Netflix e sites gratuitos como o mega popular YouTube. E com a sétima arte sim, podemos viajar pelo mundo inteiro. Filmes de todas as partes, da América à Europa, da Europa à Ásia, passando também pela África e sem se esquecer da Oceania. Em ambos os continentes, longas famosos são produzidos e vários países conseguem montar sua própria, ainda que modesta, Hollywood! Diferentemente das séries, uma pessoa não irá desistir de um filme chato de apenas noventa minutos. Sem contar a facilidade para encontrar filmes em sites de recomendações e listas especificando o estilo exato de longa que o usuário procura. Você pode procurar um filme com um ator talentoso, uma atriz bonita, um filme de terror para assistir à noite com à namorada, um filme indiano ou quem sabe europeu, um road movie ou até mesmo uma típica e clichê comédia-romântica.

Por estes e outros motivos, o cinema segue sendo a melhor e mais divertida forma de entretenimento. A mais fácil, que não irá te deixar ignorante e que não consumirá muito tempo de sua vida!

 

 

 

 

 

 

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Não consuma apenas Enlatados Americanos

ENLATADO AMERICANO

Eu amo e odeio os Estados Unidos.

Assim como o Japão – meu país favorito no mundo – todos os países tem seus defeitos e qualidades. Por exemplo, sabe-se que o Japão no inicio do século XX se meteu em guerras, disputas e ocupações que renderam más memórias aos chineses, coreanos, americanos e etc. Mas mesmo o Japão – para detalhar mais, o governo japonês – sendo uma nação com um passado não tão glorioso assim, eles tem que ser respeitados pela incrível cultura e enorme contribuição ao mundo, principalmente contribuição tecnológica. Os governantes dos Estados Unidos também já fizeram muita coisa errada, que despertou o ódio de várias pessoas, principalmente na parte política. Mas o país sempre teve duas grandes qualidades: A cultura e o pioneirismo. O País sempre investiu pesado no cinema, na televisão, teatro, literatura e foi o que mais investiu na internet, para se ter uma ideia, a maioria esmagadora dos sites famosos foram criados por Americanos nos Estados Unidos, como o YouTube, o Facebook, o Twitter e o site mais acessado do mundo inteiro: O Google.

Apesar de todo país ter sua industria própria de filmes, os longas dos Estados Unidos sempre foram os mais vistos e comentados no mundo inteiro, tendo também a premiação mais popular da sétima arte: Os Oscars. Na televisão, a partir da década de 50 os EUA não só foram pioneiros como dominaram o meio se tornando o maior exportador de séries do planeta. A maioria das séries tinham dois formatos clássicos que se tornariam o padrão da tv americana: As comédias de 20 minutos e os dramas de 40 minutos. As séries humorísticas retratavam situações do dia a dia, amizades, problemas familiares e relacionamentos – Algumas produções investiam em uma narrativa super-romântica para agradar também, ao público feminino. Já os shows de drama em sua maioria eram de cunho policial com o já clássico ”caso da semana” com um detetive ou policial ”Bad-Ass” resolvendo o mistério e prendendo o criminoso. Outro gênero incrivelmente popular no inicio da televisão norte-americana era o de Western – Faroeste no Brasil – que já tinha grande popularidade devido aos clássicos do cinema em sua maioria estrelados por John Wayne, um dos atores mais famosos da era de ouro de Hollywood.

No Brasil, as séries americanas sempre tiveram vez na tv aberta, mas havia também um equilíbrio de exibição com as produções japonesas como os animes (Saint Seiya) e tokusatsus (Jaspion) e mais tarde com produções mexicanas como o seriado El Chavo Del Ocho e as tradicionais telenovelas latinas. Agora o problema mesmo foi com a famosa ”Tv a Cabo”. A maioria dos canais por assinatura no Brasil eram originais dos Estados Unidos e exibiam apenas as séries que já estavam sendo exibidas em seu país de origem. O mesmo com os filmes e com os documentários. Foi a era de ouro de seriados como Friends e Seinfeld, dentre outros. Então se popularizou o termo Enlatado Americano, que era como esta séries clichês de drama e comédia – exibidas à massa brasileira e mundial – eram chamadas. Os filmes transmitidos na tv por assinatura e na tv aberta, eram americanos em sua maioria esmagadora: Os tradicionais filmes de entretenimento de Hollywood. E os documentários, também, todos americanos. O povo era condenado a assistir apenas conteúdo de um país apenas. Talvez seja por isto, que até os dias de hoje existam tantos brasileiros iludidos que acham que os EUA é o paraíso na terra, e sonham em se mudar para lá, se esquecendo que existem outros países com falantes nativos da língua inglesa, como Canadá e Austrália, que possuem uma qualidade de vida muito superior à dos Estados Unidos.

Apenas recentemente, com a internet, que eu – um consumidor em massa de enlatados americanos – percebi que tinha algo errado com tudo isso. Pense bem: Em um mundo com mais de 190 países, qual a logica de ficar consumindo apenas produtos de uma única nação? A ascensão dos fansubs me ajudaram e muito. Comecei a assistir as séries japonesas de super-heróis – Programas conhecidos popularmente como Séries Tokusatsu – e ao ver o estilo diferente e bem mais agradável de se fazer shows de tv dos japas, que minha mentalidade mudou. De repente, em minha consciência, comecei a refletir e percebi o que estava faltando em minha vida: Consumir cultura pop de outros países. Seja séries, filmes, livros, música e etc. Moramos em um mundo enorme, e sem nenhuma razão, vamos ficar dependentes apenas de um país? País este que de vez em quando, nem é tão bom assim em vários assuntos importantes.

Comecei a procurar novas alternativas de séries pela internet, e além de relembrar as novelas brasileiras e mexicanas, descobri os chamados DORAMAS, que nada mais são que séries asiáticas, mais especificamente de três países: Japão (J-Drama), China (CH-Drama) e a grande potência em se tratando deste assunto em específico, a Coreia do Sul (K-Drama). Na música eu já flertava com o Reino Unido, mas descobri que Canadá, Austrália e Nova Zelândia são outros ótimos países com música de alto nível em língua inglesa. Também já admirava a música sueca e conhecia um pouco da música grega. Também passei a ouvir com mais frequência, a nossa rica música brasileira. Mas a consolidação mesmo venho recentemente com o K-Pop, ou seja, a música pop popular Sul-Coreana, que tem como principal força os chamados M/V, os vídeo clipes como são popularmente conhecidos aqui no Brasil.

E no universo dos filmes, eu me interessei mais pela França e os filmes europeus em geral até finalmente conhecer o cinema indiano aka Bollywood. A Industria cinematográfica da Índia conseguiu criar uma identidade própria ao longo dos anos, fazendo filmes com longa duração, recheados de ação, suspense, romance e muita música, com os tradicionais números musicais durante o filme: Quando os personagens param tudo o que estão fazendo para dançar, pular e cantar, sempre embalados pelas mais belas canções que o país com mais de 1 bilhão de habitantes consegue produzir com louvor. Para completar, me apaixonei definitivamente pelo cinema asiático em geral, com destaques para o cinema Chinês, Japonês e Sul-Coreano.

Quanto à literatura, eu sempre li livros de todo o mundo, incluindo os autores americanos. Como os Estados Unidos é um país forte em cultura em geral, na parte da prosa não seria diferente. Mas quanto ao universo literário, sempre fui eclético e procurei ler vários autores, de diferentes nacionalidades.

Nos últimos meses, ao olhar para a cultura americana em geral, vi que o pessoal daquele país é acostumado a coisas secas demais, rápidas, sem muita arte. Explico: A trilha sonora das séries é sem graça, as músicas não tem tanto capricho, os filmes são genéricos, iguais, repetitivos e etc. Tudo é feito as pressas, com muito apelo comercial e pouca criatividade artística na maioria das vezes. Em meu ponto de vista, apenas a literatura da nação continua intacta e não decadente. Pensando agora e fazendo uma extensa reflexão bem no fundo de minha consciência, fico muito feliz em perceber que eu acertei em cheio ao diminuir assustadoramente a quantidade de cultura americana que eu botava em minha vida. Existe um mundo inteiro para se explorar, seja nos filmes, séries, músicas e livros, e eu não vou ficar aqui perdendo o meu tempo e me tornando ignorante consumindo somente a cultura de um único País. País este que nem sequer é o melhor do mundo para produzir o conteúdo que eu mais aprecio.

Liberte-se também e pare de consumir apenas Enlatados Americanos!

 

 

 

 

Como Criar Uma Perfeita Série de Tv?

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Assisti nos últimos meses muitas séries de drama…

… e o que mais me chamou a atenção foi o fato de muitas delas serem incrivelmente tristes e depressivas. Histórias e personagens cinzas, secos.  Os principais títulos que surgem em minha mente são Fortitude, Top of the Lake e a tão badalada Mr. Robot.

Comecei a refletir se os produtores destas séries estavam com a razão ou não. Vamos pensar nos filmes por exemplo: Eu não vejo problema algum em assistir um longa de 90 minutos de drama. Uma história dramática com personagens tristes. Por que filmes são pequenas viagens, sonhos, programas de uma ou duas horas. Fiquei comparando filmes e séries e… bingo! Notei porque filmes combinam com este estilo com muito drama e séries não. Por que as séries são bem diferentes de filmes. Explico: Se os longas são uma viagem rápida, um ”programa” de umas duas horas, a série já é algo que lembra a sua vida real. Ela ira te acompanhar por um bom tempo e por isso mesmo eu acho extremamente errado um show de tv ter um tom dramático em exagero.

Uma série, principalmente se ela for longa, tem que ter assim como em nossa vida, os momentos óbvios de drama/tristeza, os momentos engraçados, os romances/namoros, a parte leve, a parte pesada, o choro e o riso, as crianças e os mais velhos. Ou seja, tem que ter de tudo um pouco.

O autor de novelas João Emanuel Carneiro, durante uma entrevista para a Folha de S.Paulo em 2015, resumiu bem este meu pensamento. Segundo ele ”A novela é uma composição variada, é como uma refeição para a família. Tem que ter arroz, feijão, carne, uma farofa, uma salada. Não posso fazer um capítulo inteiro de thriller.”

E é justamente este erro que eu identifico nas séries de drama atuais. Nos episódios você vê apenas drama, muitas das vezes, percebo uma tentativa patética dos produtores de fazer algo adulto demais, incrivelmente ”artístico” por assim dizer. E eles falham miseravelmente. A novela pode ter muitos defeitos – como o número absurdo e desnecessário de personagens e a quantidade inútil de capítulos – mas sempre notei esta qualidade nos folhetins televisivos: À mistura perfeita de drama, humor, romance, trama teen, suspense, música… enfim, esta tudo ali, tem de tudo um pouco.

Outro aspecto que notei recentemente, principalmente nas produções dos Estados Unidos e também da Europa é a falta de trilha sonora original nos shows. E quando se escuta algum som, é o mesmo e velho toque genérico de sempre. Alguma orquestra ali, alguma batida eletrônica tosca aqui e assim continua. O Japão com as séries Tokusatsu e os animes sempre foram a grande força para a trilha sonora e mais recentemente tenho notado que a Coreia do Sul também é sublime neste aspecto. E quando digo boa trilha sonora, me refiro também a variedade de instrumentais, sinto muita falta de flauta, harpa, saxofone e tantos outros instrumentos musicais nas músicas de hoje em dia nos filmes e nas séries. Tudo é tão chato e genérico.

Então fica a pergunta, como construir a perfeita série de tv? Não posso garantir perfeita, por que cada um tem um gosto pessoal, mas independente do gênero, o que não pode faltar, o essencial é:

– Tema de abertura e encerramento, ou pelo ao menos uma música tema durante o episódio;

– A trilha sonora, com boas canções que combinem com a história e com boa variedade de instrumentos musicais;

– Independentemente do gênero da série, é possível sim você misturar – pelo ao menos de forma moderada – drama, romance, humor, um pouco de ação, um pouco de suspense e etc.

Estes três pontos citados acima são fundamentais. Se eu fosse produtor de tv eu sempre botaria em prática o que eu citei aqui. A série faz parte da vida de quem assiste e tem que ser como um reflexo da vida do telespectador, não pode ter drama demais sem nenhum momento engraçado ou o contrário, apenas risos o tempo todo sem nenhum momento mais sério e reflexivo. Ou seja: Tem que ser algo balanceado!

Quando os produtores de séries entenderem isso, teremos uma teledramaturgia bem mais qualificada e satisfatória.