À internet nos libertou

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É incrível notar como a rede mundial de computadores nos libertou do marasmo da tv aberta e tv a cabo e dos cinemas e vídeo-locadoras nojentos com apenas filmes recentes e enlatados americanos. Hoje se pode assistir filmes de qualquer país, fazer a maratona de um determinado tipo de filme, assistir a filmografia completa de um ator/atriz ou diretor. Você monta sua própria programação.

Em relação as séries é algo mágico também. Você escolhe a série que quiser e promove uma maratona podendo assistir o show completo em apenas alguns dias.

No mundo dos livros é fascinante. Você não é obrigado a pagar absurdos 50 ou 100 reais em um livro, você pode baixar de graça e ler a hora que quiser. Sem contar a chance de baixar livros em inglês ou outros idiomas e ler sem sair de casa ou ir àquele país para comprar o produto desejado.

Agora quanto ao mundo da música, o que dizer? Antes não existia graça nenhuma acompanhar música. Éramos obrigados a ouvir apenas o que as rádios tocavam, e com os anos 2000, o que se ouvia nas rádios voltadas ao público jovem era apenas aquelas músicas nojentas de pop e hip-hop estadunidenses. Com o acesso à internet, podemos ouvir música de verdade, baixar as discografias dos grandes artistas e montar a nossa própria discoteca. E não, eu não tenho vergonha de dizer que baixo de graça, por que se depender dessas empresas ambiciosas, estamos ferrados.

É por estas e outras, que vale a pena viver no mundo de hoje. Muito obrigado internet, por nos libertar e pela liberdade de escolher o que queremos ler, ver e ouvir.

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O que leva uma pessoa a ser viciada em futebol?

Briga entre torcidas na partida entre Atlético-PR e Vasco

 

Criado há mais de um século atrás, o futebol é o esporte mais famoso em todo o mundo. E continua muito popular atualmente. Basta ver as transmissões pela televisão, os patrocínios, os contratos milionários e a repercussão enorme das partidas nas redes sociais. Mas o que faz o futebol ser um esporte tão popular? Existe uma lógica por trás de tantas pessoas viciadas neste esporte?

Primeiramente, devo confessar que eu também já fui viciado em futebol. Primeiro, quando tinha aproximadamente sete anos de idade. E depois, no fim da adolescência, por volta dos dezessete anos. Nesta segunda vez, fiquei uns bons anos acompanhando o universo futebolístico. Partida a partida, cada contratação, resultados do futebol no Brasil e no mundo. Vibrava a cada lance e assistia e ouvia sempre os programas esportivos. Ficava empolgado com os novos jogadores, os esquemas táticos (3-5-2, 4-3-3, 4-5-1 e etc.), os novos uniformes, as novas pesquisas de quem tem mais torcida, o novo reforço milionário de uma grande equipe popular.

Mas pouco a pouco fui perdendo o interesse. E quando foi? A resposta é simples: foi justamente quando comecei a perceber os ‘’podres’’ que habitam neste esporte tão popular entre a grande massa. Um time estava bem e do nada começava a perder. Mais o que seria? Depois se descobria que os jogadores estavam implicados com o treinador ou tinham um mal relacionamento com o preparador físico. Daí, combinavam entre si de perderem quantos jogos fosse preciso, até o treinador ou o preparador ser demitido. Às vezes, até a diretoria entrava no meio das coisas. O jogador não estava satisfeito com este ou aquele dirigente, e começava a fazer corpo mole.

Outro fator ridículo neste mundo do futebol é justamente a burrice sem fim de alguns dirigentes. Eles deixam de cuidar de suas próprias empresas para comandar os clubes, e muitas das vezes, de forma patética e absurda, tiram dinheiro do próprio bolso para botar no clube. Sem receber nada em troca.

Mais um fato interessante, e até trágico: o time vai bem em uma temporada e depois, por pura incompetência da diretoria, afunda-se em um mar de crises sem fim. É bizarro ver um time ser campeão brasileiro em um ano, e no outro, a mesma equipe vitoriosa lutando para se manter na divisão da qual pertence.

Aí quando você pensa que não pode piorar, piora ainda mais. As brigas de torcida! O time começa a perder para o maior rival, os sentimentos explodem, e o resultado é um verdadeiro quebra-quebra entre os torcedores rivais. Não bastasse isso, às vezes a torcida briga entre si. Em muitos casos, o torcedor, em forma de protesto ao mal resultado no jogo, arranca um banco do estádio ou pratica outro ato deplorável qualquer, e advinha quem é punido? Não, o torcedor não, o clube. Ou seja, a instituição não tem nada a ver com a personalidade imbecil do torcedor, mas paga assim mesmo, perdendo o direito de ser o mandante dos jogos, ou até mesmo, jogando com o estádio vazio, sem direito à torcida.

Analisando estas e tantas outras idiotices do mundo do futebol, você para e pensa: será que compensa continuar acompanhando um esporte tão cheio de altos e baixos? E a resposta é fácil: isso é algo pessoal. Mas do meu ponto de vista, não. Não compensa acompanhar o universo do futebol. Em um mundo com tantas coisas mais interessantes para se fazer, como assistir a filmes; acompanhar séries; ler bons livros; ouvir música; namorar; viajar; apreciar à arte da gastronomia etc. O mundo do futebol perde totalmente o espaço.

Parando para refletir e analisando bem no fundo da consciência, o que é o futebol? Bem, é apenas um bando de macho suado, na maioria das vezes analfabetos e ignorantes por escolha própria, correndo atrás de uma bola e na maioria das vezes, estes mesmos homens suados, acabam jogando e não dando a mínima para os torcedores. Eles se importam mesmo é com o salário gordo no final do mês, com a namorada gostosona maria-chuteira, com o novo carro importado e com um futuro contrato milionário em algum clube recém-comprado por um empresário mega bilionário!

Este é o mundo do futebol. Um mundo em que me orgulho de ter saído há muito tempo. Agora acompanho este esporte de vez em quando, apenas para rir, algo como um passatempo.

Mas milhões de pessoas ainda irão passar muita raiva por causa desta bobagem de esporte… por muito e muito tempo. Fico feliz em saber que estou fora destes milhões.

 

O porquê de os filmes ainda serem mais fascinantes do que as séries

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Com à internet, ficou muito fácil para qualquer pessoa escolher o seu meio favorito de entretenimento. E os filmes e as séries continuam sendo os prediletos da grande maioria dos cidadãos brasileiros. Até aí tudo bem, o problema é o que as pessoas assistem.

Nem todo mundo pode viajar pelo mundo, viver aventuras frequentes. Por isso, os filmes e as séries sempre foram um ótimo meio de escapar da realidade e de se aventurar por outros mundos e culturas, conhecer pessoas fascinantes e se apaixonar por grandes personagens e belas histórias.

Mas parece que o brasileiro se esqueceu de uma coisa: viajar pelo mundo e não apenas pelos Estados Unidos. O país da América do Norte simplesmente domina a tv e os cinemas brasileiros. A maioria esmagadora das séries e filmes consumidos pelos cidadãos do país é de origem estadunidense. Antes da internet era aceitável, as pessoas eram ‘’obrigadas’’ a assistir apenas aos enlatados americanos nos cinemas e na televisão, tanto na tv aberta quanto na tv fechada. Mas mesmo agora, com à internet, os brasileiros continuam aceitando os enlatados americanos serem empurrados goela abaixo, até escrevi um artigo sobre este assunto.

Com acesso à internet, um dos fatores mais interessantes é poder assistir filmes do mundo todo. Eu mesmo descobri recentemente o maravilhoso cinema indiano, e agora quero investir também no cinema espanhol, que cresce cada vez mais. Estou de olho também no cinema árabe e turco. É muito curioso notar as diferenças nos filmes, tanto na parte da fotografia, música, direção, estilo de atuação dos atores e etc.

Aí você começa a procurar por séries ao redor do mundo e infelizmente, não tem a mesma facilidade comparada à procura dos filmes. O mundo da tv é dominado pelos enlatados americanos – séries chatas e genéricas feitas sob medida para entreter pessoas preguiçosas que têm preguiça de procurar por algo diferente. A outra alternativa é o Japão, com seus populares animes. E fica nisso mesmo, EUA e Japão, Japão e EUA. Os outros países até que investem nas produções televisivas – com maior destaque para o Reino Unido e à Coreia do Sul – mas sem grande sucesso. É bem difícil achar uma série para baixar ou assistir online, principalmente se a série for longa e tiver muitas temporadas, e consequentemente, muitos episódios. Outro fato importante de se ressaltar é que com a popularidade absurda dos shows de tv, vários programas de qualidade questionável estão sendo produzidos ao redor do mundo. O que mais acontece com às pessoas atualmente é, iniciar uma série, e desistir após apenas alguns episódios vistos, tamanha a baixa qualidade do show. Ninguém vai querer passar várias horas assistindo algo que não lhe agrade. Já que nem todas as séries têm o alto nível de alguns fenômenos televisivos recentes.

Quando se fala em filmes + internet, aí sim temos um fenômeno fascinante. Os filmes estão disponíveis em todos os lugares. Desde os clássicos sites para download, até filmes online em serviços pagos como a Netflix e sites gratuitos como o mega popular YouTube. E com a sétima arte sim, podemos viajar pelo mundo inteiro. Filmes de todas as partes, da América à Europa, da Europa à Ásia, passando também pela África e sem se esquecer da Oceania. Em ambos os continentes, longas famosos são produzidos e vários países conseguem montar sua própria, ainda que modesta, Hollywood! Diferentemente das séries, uma pessoa não irá desistir de um filme chato de apenas noventa minutos. Sem contar a facilidade para encontrar filmes em sites de recomendações e listas especificando o estilo exato de longa que o usuário procura. Você pode procurar um filme com um ator talentoso, uma atriz bonita, um filme de terror para assistir à noite com à namorada, um filme indiano ou quem sabe europeu, um road movie ou até mesmo uma típica e clichê comédia-romântica.

Por estes e outros motivos, o cinema segue sendo a melhor e mais divertida forma de entretenimento. A mais fácil, que não irá te deixar ignorante e que não consumirá muito tempo de sua vida!

 

 

 

 

 

 

Os Fãs de Quadrinhos no Brasil

Comic-Books

Entrando em sites especializados em quadrinhos e cultura nerd no Brasil, notei um padrão preocupante: os fãs estão começando a desprezar o bom cinema, e defendendo com unhas e dentes os filmes para nerds. Se um cineasta consagrado criticar um filme de super-herói, os nerds lunáticos por gibis caem em cima, independentemente se a filmografia do diretor for muito mais relevante que os filmes de heróis coloridos.

Fui debater o filme Vingadores: Guerra Infinita, dizendo que era apenas um filme comercial, genérico e feito apenas para ganhar dinheiro – o que é a mais pura verdade – e fui massacrado, com alguns escrevendo coisas como ‘’nunca li tanta bosta escrita’’. Outro dia, um famoso apresentador criticou o fato de uma personagem parecer ser bem fraca e estar enfrentando inimigos supostamente bem mais fortes do que ela, e advinha? Ele foi duramente criticado com afirmações infantis como ‘’Você não lê os quadrinhos, lá ela é isso e aquilo e aprendeu esta e aquela técnica’’. Como se todos fossem obrigados a ler todos os quadrinhos e ficar por dentro da história e dos poderes especiais de cada personagem.

É preocupante notar a loucura de alguns fãs. A maioria parece não aceitar críticas ao seu super-herói favorito. Não pode falar mal do filme, do herói, do vilão. Parece que todo mundo agora é obrigado a gostar de filmes de super-heróis. Todos têm que entender a história dos personagens, e gostar de como os quadrinhos são publicados e de como eles funcionam. Me desculpem seus nerds filhos de uma puta, mas eu não.

Uma mensagem para os nerds fãs de quadrinho Brasil:

Por onde eu começo, ah, deixe me ver, quadrinhos não são aquelas histórias coloridas e infantis com um bando de homens lutando contra bandidos? Certo, até aí tudo bem, mas continuando. Quadrinhos não são aqueles gibis que nunca acabam, com heróis sempre tendo suas personalidades mudadas, com heróis e vilões sendo ressuscitados a todo o momento? Não são aquelas histórias onde sempre surge um novo autor e um novo desenhista? Não são aquelas histórias que começam um em uma revista e continuam em outra apenas para a editora ganhar mais dinheiro em cima dos nerds que compram este tipo de história? Me desculpem nerds, mas não, eu não sou obrigado a gostar deste tipo imbecil de história.

Primeiro, uma pessoa que gosta de quadrinhos de heróis, basicamente só consume algo de um país apenas: Estados Unidos da América. E não existe coisa mais patética do que apreciar à arte apenas de um único país. Livros, filmes, músicas são formas de artes tão fascinantes, justamente por que o mundo inteiro as produz. Outra coisa fundamental além das constantes trocas de roteiristas e desenhistas, é a duração infinita das histórias. Todos nós vamos morrer algum dia, certo? E a graça, por exemplo, de um filme ou livro é termina-lo. É tão bom começar a assistir um bom filme e após duras horas, concluí-lo. É tão agradável começar a ler um livro, por mais longo que ele seja, e termina-lo após uma ou duas semanas. Agora estes quadrinhos coloridos de super-heróis, quando acabam? Quando será a batalha final entre o mocinho e o vilão? Não há sentido algum em histórias deste tipo. Não existe arte. O correto seria o autor criar uma história com uma conclusão, uma mensagem, e não um produto meramente comercial. Por que é isso que um gibi de herói é: algo sem alma, comercial, feito apenas para vender e ganhar dinheiro em cima de nerds virgens e sem vida social. E é isto que os americanos fazem de melhor: histórias secas e sem alma, feitas apenas para lucrar.

Se vocês querem perder o tempo da vida de vocês com estas histórias toscas e sem vida, tudo bem, mas eu sou esperto demais para cair nesta armadilha. Boa sorte para quem fica neste mundinho infeliz de quadrinhos americanos de super-heróis.

Agora dá licença, que eu irei ler o meu livro. Isto sim, uma leitura de qualidade!

 

Juventude Apaixonada

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Introdução

Muito já se foi dito do amor. Mas parece que as pessoas não se cansam de ouvir falar sobre novas histórias de amor. Como já é sabido por todos que tem um pouco de experiência no assunto, nem todas as histórias românticas tem um final feliz. Muitas têm o final totalmente feliz e algumas são metade tristes e metade alegres. A História que estou prestes a contar é semelhante ao último exemplo, ou seja, nem totalmente feliz, mas longe de ser triste em sua maioria. Digamos que ela seja apaixonante, emocionante e atraente. Eu participo da história, mas não como o protagonista, digamos que eu seja o coadjuvante de destaque. Eu não sou o apaixonado do relato, mas sou apaixonado por histórias assim…

01

Eu moro em uma cidadezinha qualquer do interior. A população não beira a cinquenta mil. Gosto sempre de me sentar no banco da praça e observar às pessoas, principalmente os casais de namorados. Meu amigo, Pablo, sempre foi mais atirado. Enquanto eu me conformava em apenas olhar as belas moças da cidade, ele sempre corria atrás. E foi em uma bela tarde, que Pablo conheceu a bela Alice. Nós dois estávamos sentados descansando após uma breve corrida ao redor da praça, quando surgiu uma linda moça caminhando em nossa direção. Ela tinha pele clara, cabelos negros, e vestia um lindo vestido rosa. Pablo respirou fundo e foi em direção a ela. Como sempre, me pediu para lhe desejar boa sorte. E foi o que fiz ”Boa sorte amigo em mais uma empreitada rumo ao amor”. Pablo se aproximou da jovem.

– Oi tudo bem? – Perguntou Pablo.

– Sim, eu te conheço? – A jovem perguntou com um sorriso sexy.

– Não, mas eu gostaria muito de conversar com você e lhe conhecer melhor.

Os dois se sentaram em um banco da praça e conversaram. Depois, a convite de Pablo, me juntei a eles e bebemos e conversamos muito. Com o passar dos dias, Pablo e Alice aproximaram-se cada vez mais, e naturalmente, começaram a namorar. E como em todo o início de namoro, tudo corria às mil maravilhas!

 

02

Uma das melhores fases da minha vida, foi justamente o início do namoro entre Pablo e Alice. Eu fiquei sendo uma espécie de ”padrinho de paquera” do casal. Eu ficava na praça vendo os dois correndo e namorando e como posso dizer, sempre me emocionava. Outras vezes, saia de casa e ia à praça apenas para encontrar o casal de pombinhos tomando um sorvete no clima mais leve e romântico possível! O par cumpriu todos os clichês de namoro, ou seja, eles andavam de mãos dadas, iam ao cinema curtirem um filme e beijavam-se durante a sessão, o Pablo apresentou a Alice à sua família e vice-versa. Durante as conversas do casal onde eu estava presente, já se falava até em casamento. Ou pelo ao menos, ”em noivado”, segundo a Alice. Tudo estava às mil maravilhas, mas nem toda coisa boa dura para sempre.

 

03

Certo dia, num clima chuvoso, meu amigo Pablo veio me visitar. Ele parecia preocupado e logo desabafou: ”O nosso namoro está às mil maravilhas, tudo muito bem. Mas a Alice me chamou a atenção para um detalhe: a vontade de curtir mais à vida, estudar em uma universidade, ter uma profissão e conhecer outras pessoas, viver outros amores”.

– Uau. – Respondi. – Mas e você, o que falou para com ela?

– Eu concordei. Também fiquei pensando muito no assunto… somos jovens e temos uma vida toda pela frente! Mas ao mesmo tempo fiquei chateado, pensando, será que eu não sou o suficiente para ela?

– Mas e você? Como eu posso dizer… você sente vontade de namorar com outras garotas?

– Para ser sincero, sim. Seria estranho a partir de agora, ficar com apenas e tão somente uma mulher para toda a vida. Mesmo esta mulher sendo alguém tão especial como a Alice. E somos realmente muito jovens, eu 22 e ela apenas 21 aninhos.

Compreendi totalmente o sentimento dos dois. Eu também não me imaginava casando jovem demais e ficando o resto da vida com uma pessoa apenas, sabendo que teria outras possibilidades amorosas e outras aventuras na vida para explorar, como outros amores, estudos e profissões para se pensar.

Alguns dias depois, cumpri a rotina que tanto me agradava, no período da tarde fui à praça da cidade e me sentei. Então vi Pablo correndo sozinho, sem Alice. Foi estranho, já que desde o início do namoro, eles sempre estavam juntos na praça. Pablo então se aproximou de mim e nos minutos seguintes, explicou a situação de seu relacionamento com Alice.

 

04

Pablo me explicou nos mínimos detalhes como tinha sido a conversa dele com Alice.

– Quer conversar sobre aquele assunto?… Sem pressão, é claro! – Perguntou Pablo à Alice, depois que os dois se encontraram na praça.

– Sim, claro. Você pensou muito nisso? – Respondeu Alice, um pouco sem graça.

– Sim, acho que nós dois não é mesmo?

– É. Bem, então, o que você pensa?

– Quer saber? Por mais mais que possa doer, eu sou um cara mente aberta. Então, eu acho que esta possibilidade é realmente incrível. Nós nos separamos por um tempo, curtimos nossa vida, estudamos na universidade, namoramos outras pessoas e depois, daqui há alguns anos, se ainda quisermos, podemos voltar. E aí sim, em definitivo, com casamento, filhos e tudo mais.

– Nossa, que mente aberta esta sua, mas você não está falando da boca pra fora não né?

– Claro que não, estou falando sério. Porque não?

– É, por que não.

Depois desta conversa, eles ainda se despediram fazendo amor em uma mata próxima à cidade. Pablo me disse fizeram questão de uma ”despedida em grande estilo”.

– Então é isso mesmo? – Perguntei.

– Sim. Agora o tempo irá dizer como nossos sentimentos estarão daqui alguns anos.

 

05

Por mais louca que tenha sido a decisão do casal, quem era eu para julgar. Até por que havia um certo sentido naquilo tudo. Se você for pensar bem, quantos jovens casais ao redor do mundo, não fazem juras de amor, mas traem um ao outro pelas costas. A garota apaixonada jura amor ao namorado, mas transa com o amigo. O rapaz se diz o homem mais sortudo do mundo, mas não resiste à vizinha da casa ao lado. Ambos são infiéis para ‘experimentarem’ um novo sabor, uma nova aventura. Pelo ao menos, meus amigos Pablo e Alice optaram por dizer a verdade, não mentiram, não esconderam seus sentimentos e desejos de explorar outras pessoas, outros amores… outros sabores!

 

06                                                                       

O tempo foi passando. Pablo ficou um tempo sem namorar, mas depois voltou a velha rotina de sempre e teve várias ‘ficantes’ com o passar dos meses, mas nada comparado ao relacionamento com Alice. Quanto à minha amiga, ela mudou-se pouco tempo depois. Foi estudar em uma grande universidade indicada pelo pai. Pablo ficou sabendo que ela namorava um rapaz do curso. ”Será que ela gosta dele do jeito que gostava de mim?” Perguntava e eu respondia ”Pode até gostar, mas duvido que ele seja tão incrível como você é meu amigo”.

Neste período de tempo, eu também namorei, mas como o objetivo desta narrativa é o romance entre Pablo e Alice, voltemos a eles.

Alice terminou a universidade e também o relacionamento com o namorado. Mas justamente no momento que ela voltava para à cidade, Pablo começava um romance sério com uma das garotas mais bonitas da região: Leila. A famosa nova moradora bonita. Uma loiraça recém-chegada à cidade. Alice me procurou para conversarmos e veio a clássica pergunta. ”Ele realmente gosta dela?” E eu respondei da forma mais sincera possível ”Gosta sim, mas não como gostava de você, querida”. Os dois se reencontraram, mas não foram para frente, levando em conta que Alice respeitava o namoro de Pablo com a nova garota.

Poucas semanas depois, Alice foi morar na cidade grande. Algum tempo depois, ela ficou noiva de um grande empresário local. Um momento bem marcante, foi quando Pablo e eu estávamos sentados à mesa da praça descansando após uma grande série de exercícios físicos e; alguns minutos depois, Alice apareceu de mãos dadas com o noivo: o empresário Arthur Caatinga. O par pareceu bem distraído e nem percebeu a nossa presença. Passados alguns dias, Pablo ficou sabendo que o casal já estava com o casamento marcado. Foi então que Pablo e Alice se reencontraram na praça, em um dos poucos momentos que ela estava sem o noivo ao lado:

– Olha, finalmente nos reencontramos! – Disse Pablo.

– Nossa, ei aí, tudo bem? – Alice, como sempre, muito simpática.

– Sim, melhor agora. Você está muito bem.

– Obrigada. E aí, como tem ido tudo? Fiquei sabendo que você está namorando a garota mais bonita da cidade?

– Pois é, depois que você saiu, ela ocupou a vaga da bonitona da região.

– Hahaha. Legal. Continua pegador hein?

– É. Acho que mantive minhas habilidades. – O tom de Pablo ficou mais sério e preocupado – Mas, vamos falar um pouco mais sério agora, podemos?

– Ah… sim… claro.

– Você realmente gosta dele? Desse Arthur? Você o ama?

– Claro que sim. Eu gosto muito dele. Ele é protetor, seguro de si, tem uma boa estabilidade financeira.

– Mas você o ama?

– Sim, eu o amo. Não de um jeito loucamente apaixonado, mas sim.

– Eu fico pensando, e se nós tivéssemos insistido com o namoro, deixado as coisas fluírem naturalmente, será que não teria sido melhor?

– É, eu também penso nisso, mas é difícil saber. Será que nós teríamos brigado em algum momento, ou quem sabe estaríamos bem até hoje.

– Justamente. – Pablo pensou um pouco e depois disparou – Vamos fazer uma loucura?

– O quê?

– Vamos terminar os nossos atuais namoros e depois, vamos voltar, vamos voltar com o nosso namoro novamente?

– Você está louco? É sério?

– Claro, por que não?

– Porque não é assim que funciona. Eu tenho toda uma vida planejada pela frente. O Arthur tem todo um investimento em uma nova empresa e quer que eu seja sócia dele.

– Besteira, isto é negócio. Eu estou falando de amor. Tudo que importa para você é negócios e dinheiro?

– Claro que não… olha acho melhor nós pararmos por aqui, eu tenho que ir.

– Me desculpe, eu me exaltei.

– Não tem problema. Eu tenho que ir. Tchau!

– Tchau.

Mesmo após Alice sair caminhando, os dois ainda ficaram trocando olhares por alguns segundos. Segundos angustiados!

 

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Pablo me contou tudo, toda a conversa nos mínimos detalhes. Eu fiquei sem palavras. Os dias que se seguiram não foram nada fáceis para o meu melhor amigo. Aí veio o casamento de Alice, e a situação piorou. Pablo ficou mais para baixo ainda. Leila tentava animá-lo, mas sem grande sucesso. O relacionamento deles basicamente era sexo e mais sexo. Nem uma grande amizade e grandes papos existia ali. No decorrer dos anos que se seguiram, Pablo tinha seus momentos alegres tratando-se de romances e flertes com as mulheres bonitas da região, mas nenhuma lembrava a era de ouro da praça e de Alice. Quanto ao grande amor da vida de meu amigo, Alice, parecia feliz e animada sendo esposa e também uma das proprietárias da empresa do marido rico.

 

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Conclusão

Ao olhar para trás, é impossível não sentir uma pequena angústia analisando a história de amor vivida por Alice e Pablo. Existe sim uma lógica em querer curtir a vida, estudar, sentir a liberdade da vida de solteiro, mas, se os dois se amavam tanto, por que não continuaram juntos? Se eles tivessem continuado o namoro, tenho certeza que desfrutariam de muitos anos felizes, mas claro, existia o risco evidente de um certo estresse. Mas isto, nunca iremos saber. Não quero ficar escolhendo lados, mas gostei mais da atitude do meu amigo Pablo: jogar tudo para o alto e voltar ao namoro como era antes. Mas Alice optou pela segurança de um relacionamento já estabilizado amorosa e financeiramente.

Mas estas angústias e mistérios é o que fazem do mundo do amor algo tão interessante de se pensar. Os encontros e desencontros; os pequenos namoros; as traições; as relações proibidas; o círculo de amizades; o ato sexual em lugares proibidos; os frutos – filhos – que um relacionamento amoroso pode trazer à vida do par.

E para desvendar os mistérios do amor, é que continuamos aqui, nesta luta diária, difícil e empolgante.

 

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